Boletim do Agronegócio | Julho de 2026
- Mariella F. Maccari de Camargo

- 5 de ago.
- 4 min de leitura
Julho de 2026 foi marcado pela revisão positiva da safra brasileira de grãos, pelo avanço da colheita do milho de segunda safra e pelo início do Plano Safra 2026/27.
A produção nacional voltou a ser projetada em nível recorde, enquanto Mato Grosso manteve a liderança entre os estados produtores. Ao mesmo tempo, o mês trouxe novas regras de crédito rural e atualização dos preços mínimos utilizados pela política agrícola.
Safra brasileira chega a 360,1 milhões de toneladas
O 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado pela Conab em 14 de julho, estimou a produção brasileira em 360,1 milhões de toneladas.
O volume representa crescimento de 2,2% em relação à safra anterior, com acréscimo aproximado de 7,8 milhões de toneladas. A área cultivada foi projetada em 83,5 milhões de hectares, também 2,2% superior ao ciclo passado.
Em comparação com a estimativa de junho, a projeção aumentou cerca de 1,5 milhão de toneladas, principalmente devido às revisões nas produções de soja e milho.

Soja alcança nova produção recorde
A produção brasileira de soja foi estimada em 180,6 milhões de toneladas, aumento de 5,3% em relação à safra 2024/25.
A área destinada à oleaginosa alcançou aproximadamente 48,6 milhões de hectares, enquanto a produtividade média foi estimada em 3.712 quilos por hectare.
Segundo a Conab, esse é o maior volume de soja já produzido no país. A safra recorde amplia a disponibilidade do grão, mas também aumenta a importância da estratégia comercial, especialmente diante dos custos de armazenagem, das obrigações financeiras e da necessidade de capital para a próxima safra.
Milho é revisado para 141,7 milhões de toneladas
A estimativa para as três safras de milho chegou a 141,7 milhões de toneladas, crescimento de 0,4% no comparativo anual.
A primeira safra foi projetada em 29,6 milhões de toneladas, aumento de 18,7%. A segunda safra, principal componente da produção nacional, foi estimada em 109,4 milhões de toneladas, redução de 3,4% em relação ao ciclo anterior.
Apesar dessa queda anual, a projeção de julho ficou cerca de 1,56 milhão de toneladas acima da estimativa de junho. Na divulgação da Conab, a colheita nacional do milho de segunda safra havia alcançado 38,9% da área cultivada.
O avanço da colheita concentra decisões sobre venda, armazenagem, transporte e cumprimento de contratos. Por isso, quantidade, qualidade, local de entrega, responsabilidade pelo frete e critérios de desconto precisam estar claramente definidos.
Mato Grosso mantém a liderança nacional
Mato Grosso permaneceu como o maior produtor de grãos do Brasil, com produção estimada em 113,4 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 31,5% da safra nacional.
Na sequência aparecem Paraná, com 47,3 milhões de toneladas; Rio Grande do Sul, com 36,7 milhões; Goiás, com 33,2 milhões; e Mato Grosso do Sul, com 29,9 milhões.
A dimensão da produção mato-grossense reforça a importância da logística, da armazenagem e do planejamento comercial. Em operações de grande escala, pequenas variações de preço, frete, umidade ou classificação podem gerar impactos relevantes no resultado financeiro.
Tempo seco favorece a colheita
Entre 1º e 21 de julho, o tempo seco predominou em grande parte do Brasil, favorecendo a maturação e a colheita do algodão e do milho de segunda safra.
Os maiores volumes de chuva ficaram concentrados nas regiões Norte e Sul e em parte do litoral do Nordeste. Em áreas de Sergipe, Alagoas e Bahia, as chuvas foram insuficientes para manter a umidade do solo, prejudicando o desenvolvimento de lavouras de feijão e milho de terceira safra.
O cenário reforça que, mesmo em uma safra nacional recorde, os resultados continuam variando conforme a cultura e a região produtora.
Novo Plano Safra entra em vigor
Julho também marcou o início do Plano Safra 2026/27, válido de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027.
Para a agricultura empresarial, foram programados R$ 525,1 bilhões destinados a custeio, comercialização e investimento. Entre as finalidades previstas estão armazenagem, irrigação, aquisição de máquinas, inovação tecnológica, sustentabilidade e modernização das propriedades.
Em 23 de julho, o Governo Federal regulamentou os critérios para a equalização das taxas de juros. Foram autorizadas 26 instituições financeiras a operar linhas com equalização.
Do total de recursos equalizados, R$ 97,5 bilhões foram destinados aos médios e grandes produtores e R$ 44,3 bilhões à agricultura familiar.
O valor anunciado no Plano Safra não corresponde ao montante automaticamente liberado. A concessão do crédito depende da análise da instituição financeira, da capacidade de pagamento, das garantias e do atendimento às exigências da operação.
Preços mínimos são atualizados
Em 13 de julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária atualizou os preços mínimos dos produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027.
A medida alcança produtos como soja, milho, sorgo, arroz, algodão, feijão, leite,
mandioca e cacau.
Esses valores servem como referência para a Política de Garantia de Preços Mínimos. Eles não devem ser confundidos com as cotações praticadas diariamente no mercado.
Julho marca a transição entre duas safras
Os dados de julho mostram um agronegócio com elevada capacidade produtiva, mas que exige decisões cada vez mais técnicas.
Enquanto a safra 2025/26 avança para sua conclusão, os produtores já precisam contratar crédito, adquirir insumos e planejar a temporada 2026/27.
Isso exige administrar, ao mesmo tempo, a comercialização da produção atual e os compromissos financeiros do próximo ciclo.
A produção recorde fortalece o agronegócio brasileiro. A preservação do resultado, porém, depende de planejamento comercial, financeiro e jurídico, com atenção aos contratos, garantias, prazos, custos e riscos da atividade.
Sobre a autora
Dra. Mariella F. Maccari de Camargo é Sócia-Proprietária do Escritório de Advocacia Maccari de Camargo, especializado em Direito Ambiental, Agrário e do Agronegócio. É também Especialista em Direito do Agronegócio pela Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso - FESMP/MT (2021) e Membra da Comissão do Agronegócio, Comissão do Meio Ambiente e Comissão de Direito Fundiário da OAB/MT. Atua há mais de 9 anos defendendo o Produtor Rural, garantindo direitos e segurança jurídica para todo o ecossistema do agronegócio.


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